Enfrentando o medo

Revista "Veja São Paulo", 26 de junho de 2006, pág. 18


TROPA NOTURNA
A empresária Lílian Gonçalves contava com nove seguranças para vigiar seus seis bares em Santa Cecília. Depois dos ataques da facção criminosa, reforçou sua tropa particular com mais sete profissionais. "Passei a gastar cerca de 30 000 reais por mês para tranqüilizar a clientela", conta. "A vida tem de continuar".

Em menos de dois meses, o paulistano viu o crime organizado impor na cidade sua rotina de intimidação ás autoridades e à população. Impotente diante de tamanha bandidagem, parte dos moradores passou a alterar os seus hábitos, principalmente nos dias seguintes à ação dos facínoras. Uns deixaram de sair à noite, outros substituíram as idas ao supermercado pelas compras via internet e muitos reforçaram os investimentos em segurança. A empresária Lílian Gonçalves, proprietária de seis bares na Rua Canuto do Val, em Santa Cecília, ampliou o número de profissionais na porta de seus estabelecimentos. Tomou a decisão após aquela fatídica segunda-feira, 15 de maio, em que o terror se espalhou por São Paulo na forma de ataques promovidos pela facção criminosa "Primeiro Comando da Capital" (PCC). "Gasto mais de 30 000 reais por mês com dezesseis seguranças", conta ela. "A clientela precisa se sentir segura e a vida tem de continuar".