Tristeza já era; agora a vida é néon
"Gazeta de Alagoas", 05 de Fevereiro de 2005
Foi Jô Soares quem sugeriu à empresária Lilian Gonçalves que contasse sua saga em livro. Daí surgiu, em 1991, "A Vida Brilhando em Néon". A autobiografia foi parara nas mãos da escritora Maria Adelaide de Amaral e inspirou uma das principais tramas de JK. Mineira de Carapuava, Lilian Migrou para Brasília aos cinco anos, em 1957, com mãe e oito irmãos, "pobre de marré marré", como diz. Sofreu todo tipo de privações, deu volta por cima e hoje é dona de nove restaurantes e um centro cultural em São Paulo. Na minissérie, ela é interpretada por Mariana Ximenes, com quem sempre fala ao telefone.
JK toma algumas liberdades (a Lilian da ficção, por exemplo, tem apenas uma irmã, casada com um homem que a estuprará), mas em linhas gerais refaz a trajetória da empresária que só cursou até o terceiro ano do ensino fundamental. A convivência com Juscelino Kubitschek, no tempo em que sua mãe era cozinheira do catetinho é uma das mais doces recordações que ela guarda: "Eu ia muito ao Catetinho porque, embora pequenininha, ajudava muito a minha mãe. E o Juscelino vivia comigo no colo. Dizia que eu era muito esperta, que ia ser alguém na vida."
Aos 14 anos, Lilian foi convidada para participar do concurso de Miss Brasília. Como tinha falsificado a certidão de nascimento, para garantir que já era maior de idade. Venceu, mas, na hora da coroação, foi desmascarada pela mãe e pelos irmãos, e deixou o palco debaixo de pancadas e xingamentos - o que será visto na minissérie.
"Logo depois disso, meu cunhado me atacou e me estuprou. Um dia eu esperei todo mundo dormir, botei duas mudas de roupa numa sacola e fui para São Paulo."
A família só soube do estupro pelo livro. Foi nele também que Lilian revelou ser fruto do romance de sua mãe com Nelson Gonçalves.
"Ele disse que sempre soube disso, mas não podia me assumir por pressão da família".